Montante adicional no crédito de habitação: quando faz sentido e como avaliar

Ao longo da vida de um crédito de habitação, as necessidades financeiras das famílias evoluem. Podem surgir melhorias no imóvel, despesas inesperadas, outros créditos acumulados ou simplesmente a vontade de reorganizar a estrutura financeira familiar.

Uma solução menos conhecida, mas frequentemente vantajosa, é pedir um montante adicional dentro do próprio crédito de habitação, mantendo condições normalmente mais favoráveis do que recorrer a outros tipos de financiamento, como empréstimos pessoais ou cartões de crédito.

Solicitar um montante adicional significa aumentar o capital em dívida do crédito existente, utilizando o mesmo imóvel como garantia. O processo envolve uma reavaliação do risco pelo banco, considerando o valor atual do imóvel, o capital já amortizado e a capacidade financeira do agregado familiar.

Se houver margem suficiente, o reforço do crédito pode ser concedido como adição ao contrato existente ou integrado no contrato principal, mantendo a coerência do financiamento. As vantagens típicas incluem taxas de juro mais baixas, prazos de pagamento mais longos e prestações mensais equilibradas, permitindo maior flexibilidade na gestão financeira familiar.

Quando é possível pedir o reforço

Nem todas as situações permitem o aumento do crédito. Para avaliar a elegibilidade, os bancos consideram principalmente três fatores:

  1. Valor do imóvel vs. capital em dívida:
    O banco verifica se existe margem de financiamento com base no valor atual do imóvel. Se o imóvel valorizou ou se o capital já amortizado representa uma proporção significativa do seu valor, há maior probabilidade de conceder um reforço.
  2. Situação financeira do agregado:
    É essencial demonstrar rendimento estável, baixa taxa de esforço e histórico de pagamentos rigoroso. Estes critérios permitem ao banco avaliar a capacidade de reembolso adicional e reduzir o risco de incumprimento.
  3. Finalidade do montante adicional:
    Embora nem sempre seja obrigatório detalhar o destino do montante, os bancos tendem a analisar com mais atenção objetivos estruturados, como melhorias no imóvel, educação ou consolidação de créditos, pois são considerados financeiramente responsáveis.

Para que pode ser usado

O montante adicional pode ter diferentes finalidades, conforme as necessidades do agregado familiar:

  • Melhorias no imóvel:
    Aumentam conforto, eficiência energética e, em muitos casos, valorizam o imóvel, potenciando retorno em caso de venda futura.
  • Despesas relevantes e planeadas:
    Educação, saúde ou outras despesas pontuais, integrando-as numa solução de financiamento sustentável.
  • Reorganização financeira:
    Pode ser utilizado para consolidar créditos pessoais ou cartões com juros elevados, reduzindo a taxa média de juro do agregado e simplificando a gestão financeira.

Do ponto de vista técnico, esta estratégia permite transformar dívidas de curto prazo e altas taxas de juro em dívida de longo prazo com custos mais controlados, com impacto positivo na liquidez mensal e na capacidade de poupança familiar.

Cuidados a ter

Apesar das vantagens, existem alguns aspetos que devem ser avaliados antes de recorrer a um montante adicional:

  • Impacto do prazo longo:
    Alongar o crédito pode reduzir a prestação mensal, mas aumentar o custo total de juros pagos ao longo da vida do empréstimo.
  • Disciplina financeira:
    É fundamental manter controlo de gastos e não contrair novos créditos, para não comprometer o orçamento.
  • Objetivo estratégico:
    Esta solução deve ser vista como um instrumento de equilíbrio financeiro, não como uma forma de aumentar o endividamento.

O impacto na prestação pode ser ajustado de forma flexível: aumentando a mensalidade, prolongando o prazo ou combinando ambas, consoante o objetivo financeiro, seja reduzir a pressão mensal imediata ou minimizar o custo total da dívida. Simular diferentes cenários é essencial para perceber o efeito real no orçamento familiar e no plano financeiro global.

Quando faz sentido considerar esta opção

Pedir um montante adicional é adequado quando:

  • Existe estabilidade financeira e capacidade de reembolso comprovada
  • Há necessidade de financiamento estruturado, seja para obras, despesas pontuais ou consolidação de créditos
  • O objetivo é reduzir custos globais, organizar dívidas e melhorar a gestão do orçamento familiar
  • Se pretende evitar créditos com taxas mais elevadas, como empréstimos pessoais ou cartões de crédito

Uma decisão que deve ser bem acompanhada

Na Findigno, cada pedido de reforço de crédito é analisado de forma completa, considerando a situação financeira global da família, os objetivos pessoais e familiares, e o impacto tanto a curto como a longo prazo. O nosso foco não se limita a “obter financiamento”; procuramos avaliar se esta solução é realmente adequada e sustentável para cada caso.