O início de um novo ano é, para muitas famílias, um momento de balanço. Revêm-se despesas, ajustam-se prioridades e pensa-se no que pode ser feito de forma mais eficiente. Por isso, para quem já tem crédito de habitação, esta é uma das decisões que mais impacto pode ter a médio e longo prazo.
Um crédito de habitação acompanha-nos durante muitos anos. No entanto, durante esse tempo, a vida raramente fica igual. O rendimento muda, a estabilidade profissional aumenta e algumas despesas desaparecem. Ainda assim, nem sempre é evidente que o crédito pode e deve acompanhar essa evolução.
Otimizar um crédito não é “mexer por mexer”. Trata-se de perceber se aquilo que foi contratado há alguns anos continua ajustado à realidade actual.
Um crédito de habitação não é estático
Ao longo do tempo existem várias formas de otimizar um crédito de habitação. Em alguns casos, o objectivo passa por reduzir juros. Noutros, o foco está em ganhar folga mensal ou reorganizar compromissos financeiros.
De forma geral, as opções mais comuns incluem rever o prazo do empréstimo, renegociar o spread e analisar os seguros associados. Além disso, em determinadas situações, pode fazer sentido integrar outras despesas ou créditos no próprio crédito de habitação. Pequenas alterações nestes pontos podem ter impacto directo na taxa de esforço e na capacidade financeira do agregado.
Ainda assim, não existem soluções universais. O ponto de partida deve ser sempre o mesmo: perceber o impacto real de cada decisão, tanto hoje como ao longo dos anos.
Reduzir o prazo: uma decisão com impacto real nos juros
Quando a situação financeira está mais confortável, reduzir o prazo do crédito pode ser uma opção a considerar. Ao encurtar o tempo do empréstimo, a prestação mensal aumenta. Em contrapartida, o valor total de juros pagos ao banco diminui de forma significativa.
Esta decisão faz mais sentido quando existe estabilidade e margem no orçamento mensal. Não é adequada a todas as fases da vida. Ainda assim, pode representar uma poupança relevante no custo total do crédito.
Antes de avançar, convém garantir que a nova prestação continua a ser suportável, especialmente caso surjam imprevistos ou alterações no rendimento.
Renegociar o spread quando a realidade já não é a mesma
O spread definido no início do contrato reflete o perfil do cliente naquele momento. Com o passar dos anos, esse perfil pode melhorar. Muitas vezes, melhora mais do que se imagina.
Para além do rendimento, vários factores pesam na avaliação do banco. O vínculo laboral é um dos mais relevantes. Por exemplo, passar de contrato a termo para contrato sem termo ou ganhar antiguidade profissional reduz o risco associado ao crédito. Além disso, uma actividade independente mais estável também pode ter impacto positivo. A diminuição do endividamento, a existência de dois rendimentos no agregado ou a redução do valor em dívida face ao valor do imóvel são igualmente sinais favoráveis.
Quando estas mudanças acontecem, faz sentido voltar a olhar para o contrato. A renegociação do spread não é automática. Ainda assim, trata-se de um pedido legítimo e alinhado com a evolução da situação financeira. Isto é particularmente relevante quando a taxa de esforço está mais equilibrada, como explicamos neste artigo sobre como melhorar a taxa de esforço.
Os seguros do crédito também contam e muito
Os seguros associados ao crédito de habitação representam uma parte importante da despesa mensal. No entanto, em muitos casos, mantêm-se exactamente iguais durante anos, sem qualquer revisão.
No seguro de vida, é comum encontrar soluções mais competitivas fora do banco. Além do preço, existe normalmente maior flexibilidade para ajustar coberturas ao longo do tempo. Isto acontece à medida que o capital em dívida diminui e a idade avança. O impacto deste seguro vai muito além do crédito em si e está directamente ligado à proteção financeira da família, como explicamos neste artigo sobre o papel dos seguros na proteção financeira da família.
O seguro multirriscos também merece atenção. Este seguro pode incluir apenas o imóvel ou incluir também o recheio. No entanto, nem sempre as coberturas contratadas correspondem à realidade actual da casa. Ao rever o multirriscos, é possível ajustar capitais, eliminar proteções desnecessárias e garantir que a cobertura faz sentido para o imóvel e para quem lá vive.
Importa ainda considerar que, ao retirar os seguros do banco, este pode exigir contrapartidas, como domiciliação de ordenado, cartões ou determinados débitos diretos. Por isso, a decisão deve ser analisada de forma global.
Quando faz sentido pedir um montante adicional
Em algumas situações, pode ser possível pedir um montante adicional no crédito de habitação. Para isso, é necessário existir margem no valor do imóvel e capacidade financeira para assumir o aumento do empréstimo.
Este reforço pode ser utilizado para obras, despesas familiares relevantes ou reorganização financeira. Por norma, apresenta taxas mais baixas e prazos mais longos do que o crédito ao consumo. Por esse motivo, pode ser uma alternativa mais equilibrada, desde que bem enquadrada no orçamento familiar.
Consolidar créditos para ganhar controlo
Uma das utilizações mais frequentes do montante adicional é a consolidação de créditos. Na prática, vários empréstimos passam a integrar uma única prestação mensal.
Isto simplifica a gestão financeira e, em muitos casos, permite reduzir o valor pago todos os meses. Ainda assim, é importante perceber que um prazo mais longo pode aumentar o custo total da dívida. Como explicamos neste guia de consolidação de dívidas, esta opção faz sentido quando o objectivo é ganhar previsibilidade e controlo financeiro. Não deve servir para criar novo endividamento.
Otimizar é acompanhar, não decidir de forma isolada
Rever o crédito de habitação não deve ser uma decisão impulsiva. Pelo contrário, exige análise, comparação e acompanhamento. Pequenos ajustes podem ter impacto significativo ao longo dos anos, tanto no custo do crédito como na tranquilidade financeira.
Na Findigno, o foco está em analisar cada situação de forma individual. O objectivo é explicar opções com clareza e apoiar decisões informadas, ajustadas à realidade de cada família.
Por fim, começar o ano a rever o crédito de habitação pode ser um passo importante para uma gestão financeira mais consciente. Acima de tudo, deve estar alinhada com a vida real, como ela é hoje, e não como era quando o crédito foi contratado.
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