Crédito ao consumo – Que cuidados deve ter na sua contratação

Numa altura em que o número de créditos ao consumo não pará de aumentar, deixamos 7 cuidados a ter na altura de recorrer a este tipo de crédito.

Antes de mais, vamos aos números recentemente divulgados pelo Banco de Portugal.

Em Maio, os empréstimos ao consumo cresceram em todos os segmentos, com um total de 688,41 milhões de euros, mais 20,1% face ao mês anterior e 16,3% face ao período homólogo.

Os consumidores estão a contrair mais créditos e de maior montante, visto que o número total de novos créditos cresceu 15,4% em relação a abril e 10,2% em termos homólogos, para um total de 139.072 contratos.

Montantes e número de créditos ao consumo face a abril de 2022

Fonte: Banco de Portugal

Fonte: Banco de Portugal

Tanto em relação ao mês anterior, como ao período homólogo, a variação é positiva em termos de número e montante total concedido em todos tipos de contratos.

De seguida, seguem as variações dos vários tipos de crédito ao consumo, comparando com o mês de abril de 2022:

Pessoal

Considerando todas as finalidades do crédito pessoal:

  • Aumentou 22,5%, face a abril deste ano (+333M €).

Automóvel

Considerando todas as finalidades de crédito automóvel:

  • Aumentou 19,0%, face a abril deste ano (+244M €).

Cartões e descoberto

Considerando as finalidades de Cartões de Crédito, Linhas de crédito, Contas correntes bancárias e Facilidades de descoberto:

  • Aumentou 15,7%, face a abril deste ano (+111M €).

Todos estes valores podem ser vistos em detalhe diretamente no site do Banco de Portugal.

Com estes aumentos, não podemos ficar indiferentes e queremos, mais uma vez, fazer-lhe chegar toda a informação para que consiga contrair um crédito 100% responsável.

Damos-lhe a conhecer 7 cuidados a ter na altura de recorrer a um crédito ao consumo.

7 dicas para contratar um crédito ao consumo

1 – Reconsiderar se a compra pode ser feita através de uma poupança

Antes de se comprometer com um empréstimo pessoal, é aconselhável considerar se existem outras soluções para a compra que pretende fazer. Embora muitos empréstimos pessoais sejam contraídos com o propósito de financiar uma grande compra, é importante pesar todas as suas opções antes de tomar uma decisão.

Esta opção não permite a compra imediata, mas irá poupar-lhe uma quantia significativa ao evitar o pagamento de juros e outros encargos. Portanto, pondere a necessidade imediata de um empréstimo contra a poupança potencial para ver se esta é a escolha certa para si.

2 – Analisar a sua taxa de esforço

É recomendado que a taxa de esforço não exceda 30%. Se calcular esta taxa com antecedência, provavelmente saberá se o seu pedido de crédito ao consumo será ou não aprovado.

A taxa de esforço é um dos pontos mais relevantes para determinar o perfil de risco dos clientes e se deve ou não pedir um montante de crédito mais baixo para evitar o risco de incumprimento.

3 – Não tomar decisões com base em simuladores

Se está a considerar contrair um empréstimo pessoal, então provavelmente já realizou algumas simulações de crédito online. É uma boa ideia ter uma noção da prestação mensal a ser paga e das taxas de juros associadas antes de contrair um empréstimo.

Contudo, é importante estar ciente de que alguns simuladores não incluem certos encargos e impostos nos valores finais. Além disso, estes simuladores não avaliam o perfil de risco dos clientes, o que é um fator chave nas decisões de crédito tomadas pelas instituições financeiras.

4 – Verificar os encargos e os juros associados aos créditos ao consumo

A dificuldade por vezes reside na compreensão do significado de certas siglas, ou na identificação de todos os encargos. Por isso, é importante primeiro compreender as taxas de juros (TAN, TAEG, MTIC), e depois compreender todos os encargos e condições associadas ao seu crédito pessoal.

Neste artigo tem o significado detalhado destas siglas.

É importante que olhe para todos os encargos individualmente, usando a FIN, Folha de Informação Normalizada, em vez de simplesmente confiar na TAEG para lhe dar uma representação precisa do custo total do seu crédito.

5 – Confirmar se a entidade é um intermediário de crédito

O Banco de Portugal tem vindo a emitir avisos e a comunicar com o público para ajudar a proteger as famílias de esquemas fraudulentos. Uma das coisas que o BdP aconselha é consultar a lista de instituições registadas antes de proceder a qualquer tipo de financiamento.

Como tal, ao verificar se a instituição está nesta lista, pode ter a certeza de que está qualificada para conceder crédito em Portugal. Se a entidade não estiver incluída neste registo, então não divulgue qualquer tipo de informação pessoal. Cuidado com as falsas alegações de publicidade que parecem ser demasiado boas para serem verdadeiras. Lembre-se que algumas fraudes são conduzidas por organizações em nome de outras entidades.

Assim, caso se depare com este tipo de situação, o melhor a fazer é denunciá-la ao Banco de Portugal.

6 – Evitar as entidades que prometem milagres

Existem muitos esquemas financeiros disfarçados de ofertas atractivas para um financiamento fácil e rápido, sem custos ou burocracia.

A maioria dos esquemas envolve prometer um crédito a um cliente sem a devida análise, mas nenhuma instituição financeira credível pode garantir isto.

Neste esquemas poderá ser-lhe pedido dinheiro antes de assinar um contrato. Este pedido pode ser disfarçado como uma comissão para libertar o crédito, mas também pode referir-se ao pagamento de seguros, impostos, ou mesmo uma taxa de transferência internacional. Um intermediário de crédito autorizado nunca irá pedir-lhe este tipo de pagamentos antes de assinar o contrato.

7 – Não aceitar um crédito ao consumo que peça a garantia dos seus bens

Segundo o Banco de Portugal, este tipo de empréstimos exigem como garantia imóveis ou outros bens sujeitos a registo, como um automóvel, avaliados por um preço muito inferior ao valor de mercado. E quando o devedor falha uma prestação acaba, quase sempre, por perder os bens dados como garantia”.

A maior parte do financiamento é tipicamente feito por particulares . O processo é geralmente simples: eles solicitam a sua propriedade como garantia de liquidez imediata. Existe normalmente a promessa de que o devedor será capaz de manter a casa e poderá recomprar a sua propriedade mais tarde. Contudo, caso falhe um pagamento da prestação, perde o direito de utilizar e voltar a comprar a habitação.

Em caso de dúvida, contacte o Banco de Portugal.